Aviso
Em virtude de razões várias este estabelecimento encerra as suas portas, terminando assim uma Era que não se repetirá.
O projecto fica eternamente incompleto.
Assim é. Assim será.
Até um dia.
Em virtude de razões várias este estabelecimento encerra as suas portas, terminando assim uma Era que não se repetirá.
O projecto fica eternamente incompleto.
Assim é. Assim será.
Até um dia.
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Mila
a
12/15/2009 09:36:00 PM
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Uma mão cheia de cabelo a ser arrancado é uma forma de ser acordado que não quero voltar a experimentar.
Algumas correntes foram retiradas, outras colocadas e a seguir fui arrastado pelos braços para fora da cela sem sequer me conseguir levantar.
- NÃO!
Pouco me servia gritar, fariam de mim o que bem quisessem, àquela hora da madrugada ninguém ouviria os meus pedidos de socorro e não faltavam pedidos de ajuda naquele lugar maldito todas as noite. Sempre sem resposta.
Preparei-me para o que esperava à tanto tempo, já o previa. O sitio para onde me lavavam seria a minha última morada, lá morreria, só restava saber se daqui a poucas horas com uma morte relativamente rápida ou se daqui a alguns anos com um fim menos misericordioso.
Penso que eram quatro. As minhas primeiras visitas em alguns dias. Sei que um deles pertencia à prisão, conhecia intimamente aquelas botas gastas. Os outros...
Nem uma palavra foi trocada entre eles, nem enquanto me tiravam da cela nem durante o caminho pelo corredor escuro que ia dar a uma luz quase imperceptível no fim. Já estava tudo tratado, certamente, não havia nada a dizer, muito menos a mim.
Chegámos à rua, a noite estava fria, o céu limpo mas nem uma estrela no céu, nem a Lua, nada. Só uma escuridão imensa afrontada pelo archote que alguém segurava perto de uma carruagem parada ao pé da porta.
A porta fechou-se atrás de mim, chaves trancaram fechaduras, passos afastaram-se até desaparecerem. Parecia-me ter sido fechado noutra cela.
Fui assim transferido para os meus novos carcereiros. Matar-me-iam dentro da protecção da carruagem ou seria ali e agora e o meu corpo largado no meio do campo? Os meus olhos só reparavam nas pistolas na cintura de cada um dos homens.
Dois dos meus novos guardas levantaram-me do chão e fizeram-me caminhar em direcção ao interior da carruagem. O terceiro atrás de nós. O do archote deu um passo em frente quando estávamos suficientemente perto para poder sussurrar-me ao ouvido - O Nunes mandou-nos para te ajudar.
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Luís Piteira
a
5/10/2009 08:27:00 PM
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- Levanta-te.
Abri os olhos lentamente. A inércia tomara conta de mim.
- Levanta-te! – A voz rouca do velho guarda persistiu.
Lá me levantei, sem grande vontade. Parecia que a motivação de revolver a minha vida se dissipara num silencia e numa monotonia aterradora. Estava ali fechado. Nada podia fazer.
Mas…
Levantei e aproximei-me das grades.
Vi uma sombra alta, atrás do velho guarda.
E lembrei-me então.
- Está aqui o Senhor Juiz. Mostra respeito.
Lembrei-me que não queria, que não me podia conformar a uma vida atrás das grades.
Lembrei-me que tinha de saldar as minhas dívidas, que tinha de descobrir a verdade e reencontrar a minha vida.
- Vou a abrir a cela. Se tentas alguma coisa, já sabes. – Avisou o guarda, numa voz severa.
- Deixa-o. Lembra-te que a tua reforma depende do teu silêncio. Agora vai.
A sombra falara.
E não pude deixar de sorrir.
Conhecia aquela voz.
O guarda num instante desapareceu e a sombra alta entrou na minha cela.
Não…
Já não era uma sombra…
Ou um jovem franzino, como me lembrava…
Era um homem feito e maduro, com as primeira entradas brancas, no farto cabelo negro.
O seu rosto era agora severo.
Engordara uns quilos.
Mas era ele.
Sem sombra de dúvida. O jovem que ajudei nas boémias ruas da capital. O jovem, cuja entrada na Universidade tinha sido patrocinada por mim.
- Este era o último sítio onde espera encontrar-te.
- Acredito. Apesar de tudo é bom ver-te… Nunes.
E no seu rosto severo rasgou-se um pequeno mas honesto sorriso.
- Estive a ler o teu processo… Não sabia de ti mas nunca pensei que estivesses encarcerado. A coisa não está fácil para ti, e o juiz anterior não facilitou nada o processo.
- Eu bem sei. – Disse, num suspiro.
- E também deves saber que eu não deveria estar aqui, a ter esta conversa.
- Também sei isso. Mas já te agradeço só pelo facto de aqui estares.
- Ouve, existe forças externas ao processo jurídico… Enfim, tu deves saber bem daquilo que falo. Foste bem tramado. Mesmo que a tua petição chegue oficialmente à minha secretária, dificilmente serei capaz de autorizar a repetição do teu julgamento, se é que se pode chamar àquilo que li, um julgamento…
Conseguia perceber na sua voz, uma pitada de revolta. Sempre fora voluntarioso e responsável. Ver-se de mãos e pés atadas era contra tudo aquilo que acreditava.
- Ouve Nunes, nem vale a pena tentares algo. Tens razão. São forças demasiado poderosas. Se fizeres algo, podes arruinar a tua carreira. Pior, podem ir atrás da tua família.
O seu rosto manteve-se passivo.
Aproximei-me.
- Acabaste por casar, não foi? Com aquela rapariguinha envergonhada do mercado?
Acenou positivamente.
- Tens filhos? – Perguntei.
- Dois rapazes.
- Então pensa na tua família. Não há nada que possas fazer. – Disse, resignado. – Mas é sempre bom saber que ainda me restam amigos.
- Sim. – Concordou, ao sair da cela. – Ainda te restam amigos. Tenho plena consciência das consequências, mas acredita que algo vai acontecer nos próximos dias. Prepara-te.
- Nunes? – Perguntei, meio atordoado com a firmeza das suas palavras.
- Vais ser transferido de prisão mas não farei com que fiques retido no caminho. Deixa tudo comigo.
E foi-se embora.
- Nunes? Nunes! Nunes!! – Gritei e o meu impulso foi ir atrás dele.
Nesse momento surgiu o guarda.
Parei e recuei dois passos, para dentro da cela.
As suas palavras ecoavam na minha mente.
Algo vai acontecer nos próximos dias…
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Mila
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7/10/2008 06:11:00 PM
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Valeu a pena o que passei às mãos dos guardas.
Vê-lo agarrado ao nariz, cheio de sangue, sujo e imundo de ter ido ao chão, a fugir da cela assim que a abriram valeu cada murro e pontapé que levei para além da fome que passei nessa noite.
Soube bem vê-lo correr com o rabo entre as pernas como o cobarde que é. Devia-lhe ter feito frente há anos, quem sabe se estaria nesta situação agora?
Durou-me pouco tempo este consolo, no dia seguinte pensei no que aquela besta me tinha dito. Eles tinham um filho... Nem sabia o que pensar disso... Que idade teria? Será que saia à mãe, seria gentil como ela... ou como ela era? Ou sairia ao pai e teria aquele ar altivo, arrogante e desprezivel? É melhor nem pensar nisso, só a ideia dela estar com ele é repulsiva.
O controlo que ele exercia obviamente era maior que quando a deixei. Para além de dor agora havia ali ódio. Abandonar alguém pode ter esse efeito, devia saber isso.
E eu, porque nunca voltei? Que poderia ter acontecido, que poderia ele ter feito? Nem devia de ter partido. Ele nunca se atreveria a avançar com as ameaças e mesmo que tentasse, não valeria a pena? Devia ter dado mais valor ao que realmente importava. Em breve não teria nem uma coisa nem outra se continuasse com a minha sorte.
Pelo que me apercebi de algumas conversas eu seria levado a ver o juiz, assim que ele chegasse. Nessa altura ficaria detido noutra secção dos calabouços do Tribunal. Não sabia se devia desejar que esse momento chegasse ou não.
Ninguém estava particularmente inclinado a acreditar em mim, nenhum advogado queria representar-me, nem os da familia...
Não percebo nada disto... como podem prender e torturar alguém e nem se darem ao trabalho de se perguntar porquê o fiz? Perguntei-lhes eu. A resposta não podia destruir melhor as esperanças que tinha de sair dali tão cedo: "Um ricaço com' vocemecê precisa lá de alguma razã'pa despachar a moça? Confesse mas é, tava aborrecido, quis fazer alguma coisa com ela, ela nã deixô e foi o que foi!"
Para eles o assunto estava encerrado, era uma questão do juiz acreditar em mim ou não. Pelo que estava a ver até agora, as minhas hipóteses não eram as melhores.
A ideia que me estavam a deixar do juiz também não era a melhor. Pelos vistos tinha vindo de uma familia modesta e ao que me diziam tinha uma certa tendência para, em casos como este, ter uma mão pesada para alguém como eu.
Em breve veria. Não estava com muita vontade de me representar a mim próprio mas possivelmente teria que ser. Curioso, estudei para me defender, para evitar que voltassem a usar a Lei contra mim mas nunca pensei que poderia ter que vir a defender a minha vida.
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Luís Piteira
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2/18/2008 01:18:00 PM
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Olhei-o em silêncio.
E ele retribuiu o gesto.
Após a conversa com a Margarida, não queria ver mais ninguém, do meu mundo exterior.
Estava esgotado mentalmente mas…
Mas ele estava aqui.
Deu um passo para o interior da minha cela e acenou ligeiramente aos guardas para fecharem a porta.
- Ah! Vejo que ainda te lembras de mim.
Olhei-o com desprezo.
- Foste rápido. A Margarida acabou de sair.
- Eu sei.
- E cruzaram-se? – perguntei, apesar de já saber a resposta.
A resposta à minha questão foi uma gargalhada cheia.
- E, após todo este tempo, continuas com um excelente sentido de humor.
- Que fazes aqui? – perguntei de uma vez. – Sabia da visita da Margarida.
O homem aproximou-se de mim e olhou-me nos olhos.
- Acho que te avisei, há já alguns anos, que já mais queria que a voltasses a ver, na tua miserável vida.
- Estou no meu direito, ela veio voluntariamente e, na verdade, nada tenho a perder. – respondi.
- Essa tua vontade só serve para abrir feridas antigas.
Ele tinha razão, de facto.
E, enquanto escrevi aquele maldito recado para a Margarida, ponderei todas as hipóteses, todos os cenários, todas as consequências.
Na verdade, só agora pensava que aquela pequena conversa, tinha feito mais mal do que bem.
Tinha reaberto profundas feridas…
- A Margarida precisa de saber.
- A Margarida não precisa de saber nada.
Desviei o olhar.
O homem suspirou e afastou-se.
- Pensei que já te tivesses acomodado ao que a vida te reservou.
- Não. Ainda não estou morto.
O homem sorriu.
- Sabes? Pedi-lhe que levasse a Margarida daqui, para que ela, ao menos, não vivesse com o pensamento que estava apenas a alguns metros de ti.
- Não acredito.
- Não acredites então. Não tentes contactá-la novamente. Não serei tão benevolente da próxima vez.
- Só se conseguir impedi-la de vir aqui, porque eu não desistirei de lhe contar a verdade.
A postura calma e relaxa do homem desapareceu.
Ergueu um punho e aplicou-o, com toda a força, na minha face.
Se tal tivesse acontecido, antes de ser preso, aquele murro teria tido algum impacto em mim…
Agora…
Mal sentira o murro.
Engraçado.
Os dias e noites de tortura sempre tinham os seus resultados positivos…
Os olhos do homem abriram-se ligeiramente antes de eu lhe retribuir o gesto.
Deitei-o por terra.
E o silêncio instalou-se novamente na cela fria.
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Mila
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1/28/2008 11:29:00 AM
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Atiraram-me de volta para o calabouço. Um buraco escuro e infecto. Por sorte os meus únicos companheiros eram ratos, entre eles e os outros habitantes deste maldito lugar acho que preferia os roedores. O barulho incessante, os gritos, a rudeza da linguagem... Definitivamente preferia os roedores.
A única luz que entrava naquela sala vinha de uma fresta na parede, quase ao pé do tecto. Mais valia que não houvesse luz nenhuma. A pouca que entrava apenas permitia ver palha suja no chão imundo e paredes manchadas pelo que esperava ser caruncho.
O tempo ali passava de forma diferente. Sem relógio, sem nada que me desse uma ideia da progressão do tempo, especialmente à noite... Sentia-me a dar em doido. Quanto tempo mais ficaria ali? Há quanto tempo tinha eu estado com a Margarida? Teriam sido minutos? Horas? Quando a voltaria a ver?
Ali estava eu, acusado de homicídio, sem saber o que seria de mim e tudo o que eu queria era voltar a vê-la...
A minha mente pensava ocasionalmente na minha situação. Quem teria sido? Porquê? Já entretinha a noção de ter sido eu, de alguma forma ter sido eu o responsável e estar num tal estado de negação que não era capaz de o admitir... Ridículo... Aquele sitio estava a afectar-me.
Ainda não sabia o que estava ali a fazer. Tinham-me arrastado para a prisão sem me dar uma hipótese de me explicar e não me disseram do que estava à espera. Rezava para que não me tivessem enfiado ali sem direito a um julgamento, que apenas o estivessem a preparar...
A porta abre-se. Em vez do guarda de costume entram dois. Acompanhava-os um homem de meia idade, bem vestido, porte nobre. Por algum motivo tinha mais receio de o ver que aos dois novos guardas...
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Luís Piteira
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11/27/2007 11:31:00 PM
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Fecho os olhos.
Acho que se apercebeu finalmente do rumo do meu discurso.
Oiço-a respirar fundo e afastar-se alguns passos.
- Foi para isso que se chamaste aqui? – Ela perguntou, num tom de voz agressivo, ao se afastar da pequena janela gradeada.
Nem eu próprio sabia explicar muito bem porque decidira, de repente, vê-la, após tantos anos. Acho que, após tantas mentiras, queria esclarecer tudo, de uma vez por todas, antes que fosse demasiado tarde.
- Foi, não foi? – Ela insistiu novamente. – Se é essa a razão, então…
- Espera. – Pedi, quando encontrei a minha voz. – Espera, deixa-me terminar a minha história.
- A tua versão dos factos, queres dizer.
As suas palavras não me surpreenderam mas a sua frieza paralisou-me por alguns segundos. Esta já não era a rapariga doce e terna que conhecera nos meus tempos de juventude.
- Se é assim que preferes… Peço-te apenas algum do teu tempo.
- Muito bem. Sê rápido então.
As suas palavras libertaram-me de uma tensão que eu não sabia que tinha. Suspirei, aliviado, e olhei para ela, mais uma vez. A ausência de contacto humano permanente, durante os meus longos anos de reclusão, tornou-me mais atento aos pequenos sinais físicos, quase imperceptíveis a olho nu. Não bastam as palavras, aquilo que uma pessoa afirma num determinado momento. Essa mensagem só tem real valor que se todo o seu corpo corroborar.
A minha visita não tinha forma como escapar à minha análise. As suas palavras frias e distantes eram traídas por uma postura corporal rígida. Quando entrou na minha cela, minutos antes, quase que conseguia sentir o seu medo por estar ali. Poucas vezes
conseguiu olhar-me directamente, e mantinha uma distância, que lhe proporcionava uma relativa segurança. E a verdade é que essa distância também se tornou confortável para mim.
Olhei para ela novamente.
Cruzara os braços, num gesto clássico de impaciência. Como eu me lembrava bem disso…
- Desculpa, dispersei por uns segundos… - Ofereci honestamente quando retomei ao meu lugar original, ao canto da cena. Cai no silêncio novamente. Permiti, que a vida da cidade lá fora, me acalmasse e me ajudasse a concentrar. Sorri tristemente com o barulho energético das crianças que brincavam lá fora. Carroças e cavalos deixavam a sua marca na calçada antiga, ao mesmo tempo que ouvia conversas sem nexo para mim.
- Hesitas em começar. Não me lembro de seres tão parco em palavras ou tão covarde, Afonso.
Sim. Ali mesmo. Ela ainda sabia como me atingir.
- Quero que saibas a verdade. Nada mais me interessa neste momento.
- Não, queres limpar o teu nome antes de partir e, sinceramente, acho que não sou o instrumento ideal. Segui com a minha vida, e não mais olhei para trás. Merecia isso, após tudo aquilo que me fizeste.
- Bem sei que seguiste em frente mas, ainda assim, estás aqui. – Constatei amargamente.
- Quero por um ponto final em tudo o que esteja relacionado contigo e continuar a minha vida, com o meu marido e o meu filho.
A emoção na sua voz estava contida mas era perceptível. Não sabia que tinha um filho…. Não sei muitas coisas…
Baixei o meu olhar. O seu olhar era demasiado carregado para mim. Continha imensas coisas que, no momento, não queria ver. Margarida sempre fora um livro aberto. Agora tornara-se numa manhã densa de nevoeiro. Conseguia ver algo, mas o que estava para além daqueles olhos assustava-me.
- Muito bem então. Não era assim que espera regressar a casa. Espera um abraço de boas-vindas, um aperto de mãos dos amigos mais próximos… Regressar a uma casa vazia foi um duro golpe para mim. Mas encontrá-la, ali, sem vida, foi um choque para mim… Toquei-lhe. Estava fria e pálida, com aqueles grandes olhos, a contemplarem o vazio. Não havia vida ali, soube de imediato. Virei o seu corpo inerte e encontrei um punhal cravado no seu peito. Soube então. Algo de muito grave se tinha passado… - Calei-me por uns segundos. A imagem era demasiado dolorosa. – Num acto de pura estupidez, decidi retirar o punhal ensanguentado… Foi nesse preciso momento que o Miguel decidiu entrar no quarto… Após isso, só me lembro do seu grito…
“Assassino!”
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Mila
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9/19/2007 04:19:00 PM
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